Cartucho para surpresa !
29 de mar. de 2011
Páscoa
JOAQUIM JOSÉ DA SILVA XAVIER - TIRADENTES - BIOGRAFIA
JOAQUIM JOSÉ DA SILVA XAVIER
Nascido em uma fazenda no distrito de Pombal, próximo ao arraial de Santa Rita do Rio Abaixo, à época território disputado entre as vilas de São João del-Rei e São José do Rio das Mortes, na Minas Gerais. O nome da fazenda “Pombal” é uma ironia da história: O Marquês de Pombal foi arqui-inimigo de Dona Maria I contra a qual Tiradentes conspirou, e que comutou as penas dos inconfidentes.
Joaquim José da Silva Xavier era filho do reinol Domingos da Silva Santos, proprietário rural, e da brasileira Maria Antônia da Encarnação Xavier (prima em primeiro grau de Jose Pereira de Magalhães), tendo sido o quarto dos sete filhos.
Em 1755, após o falecimento de sua mãe, segue junto a seu pai e irmãos para a sede da Vila de São José; dois anos depois, já com onze anos, morre seu pai. Com a morte prematura dos pais, logo sua família perde as propriedades por dívidas. Não fez estudos regulares e ficou sob a tutela de um padrinho, que era cirurgião. Trabalhou como mascate e minerador, tornou-se sócio de uma botica de assistência à pobreza na ponte do Rosário, em Vila Rica, e se dedicou também às práticas farmacêuticas e ao exercício da profissão de dentista, o que lhe valeu o apelido de Tiradentes, um tanto depreciativa. Não teve êxito em suas experiências no comércio.
Com os conhecimentos que adquirira no trabalho de mineração, tornou-se técnico em reconhecimento de terrenos e na exploração dos seus recursos. Começou a trabalhar para o governo no reconhecimento e levantamento do sertão brasileiro. Em 1780, alistou-se na tropa da Capitania de Minas Gerais; em 1781, foi nomeado comandante do destacamento dos Dragões na patrulha do “Caminho Novo”, estrada que servia como rota de escoamento da produção mineradora da capitania mineira ao porto Rio de Janeiro. Foi a partir desse período que Tiradentes começou a se aproximar de grupos que criticavam a exploração do Brasil pela metrópole, o que ficava evidente quando se confrontava o volume de riquezas tomadas pelos portugueses e a pobreza em que o povo permanecia. Insatisfeito por não conseguir promoção na carreira militar, tendo alcançando apenas o posto de alferes, patente inicial do oficialato à época, e por ter perdido a função de comandante da patrulha do Caminho Novo, pediu licença da cavalaria em 1787.
Morou por volta de um ano na cidade carioca, período em que idealizou projetos de vulto, como o bondinho do Pão-de-Açúcar e a canalização dos rios Andaraí e Maracanã para a melhoria do abastecimento d’água no Rio de Janeiro; porém, não obteve aprovação para a execução das obras. Esse desprezo fez com que aumentasse seu desejo de liberdade para a colônia. De volta às Minas Gerais, começou a pregar em Vila Rica e arredores, a favor da independência daquela província. Organizou um movimento aliado a integrantes do clero e da elite mineira, como Cláudio Manuel da Costa, antigo secretário de governo, Tomás Antônio Gonzaga, ex-ouvidor da comarca, e Inácio José de Alvarenga Peixoto, minerador. O movimento ganhou reforço ideológico com a independência das colônias estadunidenses e a formação dos Estados Unidos da América. Ressalta-se que, à época, oito de cada dez alunos brasileiros em Coimbra eram oriundos das Minas Gerais, o que permitiu à elite regional acesso aos ideais liberais que circulavam na Europa.
A Inconfidência mineira
Além das influências externas, fatores regionais e econômicos contribuíram também para a articulação da conspiração nas Minas Gerais. Com a constante queda na receita provincial, devido ao declínio da atividade da cana de açúcar, a administração de Martinho de Melo e Castro instituiu medidas que garantissem o quarto, imposto que obrigava os moradores das Minas Gerais a pagar, anualmente, cem arrobas de prata, destinadas à Real Fazenda. A partir da nomeação de Antônio da Cunha Meneses como governador da província, em 1782, ocorreu a marginalização de parte da elite local em detrimento de seu grupo de amigos. O sentimento de revolta atingiu o máximo com a decretação da derrama, uma medida administrativa que permitia a cobrança forçada de impostos atrasados, mesmo que preciso fosse confiscar todo o dinheiro e bens do devedor, a ser executada pelo novo governador das Minas Gerais, Luís Antônio Furtado de Mendonça, 6.º Visconde de Barbacena (futuro Conde de Barbacena), o que afetou especialmente as elites mineiras. Isso se fez necessário para se saldar a dívida mineira acumulada, desde 1762, do quinto, que à altura somava 538 arrobas de ouro em impostos atrasados.
O movimento se iniciaria na noite da insurreição: os líderes da “inconfidência” sairiam às ruas de Vila Rica dando vivas à República, com o que ganhariam a imediata adesão da população. Porém, antes que a conspiração se transformasse em revolução, em 15 de março de 1789 foi delatada aos portugueses por Joaquim Silvério dos Reis, coronel, Basílio de Brito Malheiro do Lago, tenente-coronel, e Inácio Correia de Pamplona, luso-açoriano, em troca do perdão de suas dívidas com a Real Fazenda. Anos depois, por sua delação e outros serviços prestados à Coroa, Silvério dos Reis receberia o título de Fidalgo.
Entrementes, em 14 de março, o Visconde de Barbacena já havia suspendido a derrama o que de esvaziara por completo o movimento. Ao tomar conhecimento da conspiração, Barbacena enviou Silvério dos Reis ao Rio para apresentar-se ao vice-rei, que imediatamente (em 7 de maio) abriu uma investigação (devassa). Avisado, o alferes Tiradentes, que estava em viagem licenciada ao Rio de Janeiro escondeu-se na casa de um amigo, mas foi descoberto ao tentar fazer contato com Silvério dos Reis e foi preso em 10 de maio. Dez dias depois o Visconde de Barbacena iniciava as prisões dos inconfidentes em Minas.
Dentre os inconfidentes, destacaram-se os padres Carlos Correia de Toledo e Melo, José da Silva e Oliveira Rolim e Manuel Rodrigues da Costa, o tenente-coronel Francisco de Paula Freire de Andrade, comandante dos Dragões, os coronéis Domingos de Abreu Vieira e Joaquim José dos Reis (um dos delatores do movimento), os poetas Cláudio Manuel da Costa, Inácio José de Alvarenga Peixoto e Tomás Antônio Gonzaga, ex-ouvidor.
Os principais planos dos inconfidentes eram: estabelecer um governo republicano independente de Portugal, criar manufaturas no país que surgiria, uma universidade em Vila Rica e fazer de São João del-Rei a capital. Seu primeiro presidente seria, durante três anos, Tomás Antônio Gonzaga, após o qual haveria eleições. Nessa república não haveria exército – em vez disso, toda a população deveria usar armas, e formar uma milícia quando necessária. Há que se ressaltar que os inconfidentes visavam a autonomia somente da província das Minas Gerais, e em seus planos não estava prevista a libertação dos escravos africanos, apenas daqueles nascidos no Brasil.
Julgamento e sentença
Negando a princípio sua participação, Tiradentes foi o único a, posteriormente, assumir toda a responsabilidade pela “inconfidência”, inocentando seus companheiros. Presos, todos os inconfidentes aguardaram durante três anos pela finalização do processo. Alguns foram condenados à morte e outros ao degredo; algumas horas depois, por carta de clemência de D. Maria I, todas as sentenças foram alteradas para degredo, à exceção apenas para Tiradentes, que continuou condenado à pena capital, porém não por morte cruel como previam as Ordenações do Reino: Tiradentes foi enforcado.
Os réus foram sentenciados pelo crime de “lesa-majestade”, definida, pelas ordenações afonsinas e as Ordenações Filipinas, como traição contra o rei. Crime este comparado à hanseníase pelas Ordenações Filipinas:
“Lesa-majestade quer dizer traição cometida contra a pessoa do Rei, ou seu Real Estado, que é tão grave e abominável crime, e que os antigos Sabedores tanto estranharam, que o comparavam à lepra; porque assim como esta enfermidade enche todo o corpo, sem nunca mais se poder curar, e empece ainda aos descendentes de quem a tem, e aos que ele conversam, pelo que é apartado da comunicação da gente: assim o erro de traição condena o que a comete, e empece e infama os que de sua linha descendem, posto que não tenham culpa.”
Por igual crime de lesa-majestade, em 1759, no reinado de D. José I de Portugal, a família Távora, no processo dos Távora, havia padecido de morte cruel: tiveram os membros quebrados e foram queimados vivos, mesmo sendo os nobres mais importantes de Portugal. A Rainha Dona Maria I sofria pesadelos devido à cruel execução dos Távoras ordenado por seu pai D. José I e terminou por enlouquecer.
Em parte por ter sido o único a assumir a responsabilidade, em parte, provavelmente, por ser o inconfidente de posição social mais baixa, haja vista que todos os outros ou eram mais ricos, ou detinham patente militar superior. Por esse mesmo motivo é que se cogita que Tiradentes seria um dos poucos inconfidentes que não era tido como maçom.
E assim, numa manhã de sábado, 21 de abril de 1792, Tiradentes percorreu em procissão as ruas do centro da cidade do Rio de Janeiro, no trajeto entre a cadeia pública e onde fora armado o patíbulo. O governo geral tratou de transformar aquela numa demonstração de força da coroa portuguesa, fazendo verdadeira encenação. A leitura da sentença estendeu-se por dezoito horas, após a qual houve discursos de aclamação à rainha, e o cortejo munido de verdadeira fanfarra e composta por toda a tropa local. Bóris Fausto aponta essa como uma das possíveis causas para a preservação da memória de Tiradentes, argumentando que todo esse espetáculo acabou por despertar a ira da população que presenciou o evento, quando a intenção era, ao contrário, intimidar a população para que não houvesse novas revoltas.
Executado e esquartejado, com seu sangue se lavrou a certidão de que estava cumprida a sentença, tendo sido declarados infames a sua memória e os seus descendentes. Sua cabeça foi erguida em um poste em Vila Rica, tendo sido rapidamente cooptada e nunca mais localizada; os demais restos mortais foram distribuídos ao longo do Caminho Novo: Santana de Cebolas (atual Inconfidência, distrito de Paraíba do Sul), Varginha do Lourenço, Barbacena e Queluz (antiga Carijós, atual Conselheiro Lafaiete), lugares onde fizera seus discursos revolucionários. Arrasaram a casa em que morava, jogando-se sal ao terreno para que nada lá germinasse.
Legado de Tiradentes perante a história do Brasil
Tiradentes permaneceu, após a Independência do Brasil, uma personalidade histórica relativamente obscura, dado o fato de que o Brasil continuou sendo uma monarquia após a independência do Brasil, e, durante o Império, os dois monarcas, D. Pedro I e D. Pedro II, pertenciam à casa de Bragança, sendo, respectivamente, neto e bisneto de D. Maria I, contra a qual Tiradentes conspirara, e, que havia emitido a sentença de morte de Tiradentes e comutado as penas dos demais inconfidentes. Durante a fase imperial do Brasil, Tiradentes também não era aceito pelo fato de ele ser republicano. O “Código Criminal do Império do Brasil”, sancionado em 16 de dezembro de 1830, também previa penas graves para quem conspirasse contra o imperador e contra a monarquia:
Foi a República – ou, mais precisamente, os ideólogos positivistas que presidiram sua fundação – que buscaram na figura de Tiradentes uma personificação da identidade republicana do Brasil, mitificando a sua biografia. Daí a sua iconografia tradicional, de barba e camisolão, à beira do cadafalso, vagamente assemelhada a Jesus Cristo e, obviamente, desprovida de verossimilhança. Como militar, o máximo que Tiradentes poder-se-ia permitir era um discreto bigode. Na prisão, onde passou os últimos três anos de sua vida, os detentos eram obrigados a raspar barba e cabelo a fim de evitar piolhos. Também, o nome do movimento, “Inconfidência Mineira”, e de seus participantes, os “inconfidentes”, foi cunhado posteriormente, denotando o caráter negativo da sublevação – inconfidente é aquele que trai a confiança. Outra versão diz que por inconfidência era termo usado na legislação portuguesa na época colonial e que “entendia-se por inconfidência a quebra da fidelidade devida ao rei, envolvendo, principalmente, os crimes de traição e conspiração contra a Coroa”, e, que para julgar estes crimes eram criadas “juntas de inconfidência”.
Historiadores como Francisco de Assis Cintra e o brasilianista Kenneth Maxwell procuram diminuir a importância de Tiradentes, enquanto autores mineiros como Oilian José e Waldemar de Almeida Barbosa procuram ressaltar sua importância histórica e seus feitos, baseando-se, especialmente, em documentos sobre ele existente no Arquivo Público Mineiro.
Atualmente, onde se encontrava sua prisão, funcionou a Câmara dos Deputados na chamada “Cadeia Velha”, que foi demolida e no local foi erguido o Palácio Tiradentes que funcionava como Câmara dos Deputados até a transferência da capital federal para Brasília. No local onde foi enforcado ora se encontra a Praça Tiradentes e onde sua cabeça foi exposta fundou-se outra Praça Tiradentes. Em Ouro Preto, na antiga cadeia, hoje há o Museu da Inconfidência. Tiradentes é considerado atualmente Patrono Cívico do Brasil, sendo a data de sua morte, 21 de abril, feriado nacional. Seu nome consta no Livro de Aço do Panteão da Pátria e da Liberdade, sendo considerado Herói Nacional.
Descendência
A questão da descendência de Tiradentes é controversa. Há poucas provas documentais sobre isso.
Tiradentes nunca se casou. Teve um caso com Antónia Maria do Espírito Santo, com quem teve uma filha, Joaquina da Silva Xavier, nascida em 31 de agosto de 1786. Constam autos do processo de Antónia Maria descobertos no Arquivo Público Mineiro que a mesma pediu a posse de um escravo que Tiradentes lhe havia dado e havia sido confiscado após sua morte.Ali é citada sua filha (cujo padrinho foi o também inconfidente Domingos de Abreu Vieira, rico comerciante) e faz dela a única descendente direta comprovada por documentação. Tiradentes também teria querido casar-se com uma rapariga de nome Maria, oriunda de São João del-Rei, filha de abastados portugueses que se opuseram à união.
Sem registros comprovados por documentação, Tiradentes teria tido com Eugênia Joaquina da Silva dois filhos, uma chamou-se Joaquina, que logo morreu e João de Almeida Beltrão, que teve oito filhos.
Para escapar das perseguições da coroa e da população, um destes netos trocou seu sobrenome para Zica, de onde surgiu a família Zica, dos quais alguns descendentes recebem pensões.
Além destes, também foi concedida à sua tetraneta Lúcia de Oliveira Menezes, por meio da Lei federal 9.255/96, uma pensão especial do INSS no valor de R$ 200,00, o que causou polêmica sobre a natureza jurídica deste subsídio, mas solucionado pelo STF no agravo de instrumento 623.655.
Carnaval
Tiradentes recebeu grande homenagem popular do G.R.E.S. Império Serrano, que desfilou em 1949 entoando o samba Exaltação a Tiradentes, cujos autores são Mano Décio, Estanislau Silva e Penteado.
Em 2008, no desfile da Viradouro, RJ, o destaque principal do carro n.º 5 “execução da liberdade” estava fantasiado de Tiradentes. (desfile “É de Arrepiar!”, de Paulo Barros)
Cinema, televisão e livros sobre Tiradentes:
1948 – Inconfidência Mineira, de Cármen Santos
.1953 – Romanceiro da Inconfidência, livro de Cecília Meireles
1966 – Cristo de Lama, de Wilson Silva
1969 – Dez Vidas, de Ivani Ribeiro, TV Excelsior
1972 – Tiradentes, o Mártir da Independência, de Geraldo Vietri
1972 – Os Inconfidentes, de Joaquim Pedro de Andrade
1976 – Saramandaia,( aparição especial) de Dias Gomes, Rede Globo
1999– Tiradentes, de Oswaldo Caldeira
2007 – O Processo de Tiradentes, de Ricardo Tosto e Paulo Guilherme M. Lopes
21 de abril - TIRADENTES
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| Alferes Joaquim José da Silva Xavier, retratado por W. Rodrigues |
O dia 21 de abril é feriado nacional.
Trata-se de uma homenagem que o Brasil presta ao sacrifício de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, que foi enforcado e esquartejado, em 21 de abril de 1792, devido a seu envolvimento com a Inconfidência Mineira - um dos primeiros movimentos organizados pelos habitantes do território brasileiro, no sentido de conseguir a independência do país em relação a Portugal.
Mas porque se presta essa homenagem à Tiradentes?
No século 18, o Brasil era uma colônia portuguesa que gerava grandes lucros para sua metrópole, em função do ouro e dos diamantes que haviam sido descobertos na região que ficou conhecida como Minas Gerais.
Essa região tornou-se o centro econômico e cultural do país. Nela surgiram várias cidades ricas e importantes, como Vila Rica (atual Ouro Preto), São João Del Rei e Sabará.
Portugal explorava o ouro brasileiro, mas nem todas as pessoas ligadas ao garimpo pagavam os impostos que a metrópole cobrava. Também havia muito contrabando das riquezas minerais. Além disso, essas riquezas não eram infinitas e começaram a se tornar escassas.
O governo português, porém, acreditava que a diminuição no volume de seus lucros com a mineração se devia ao contrabando e à sonegação dos brasileiros. Por isso, começou a aumentar os impostos e tomar medidas repressivas contra os naturais da terra.
Desse modo, os brasileiros se revoltaram e isso aconteceu quase na mesma época em que os Estados Unidos se tornaram independentes da Inglaterra. Ao mesmo tempo, na Europa, filósofos e pensadores criticavam a monarquia e o poder absoluto dos reis. Tudo isso influenciou as elites de Minas Gerais e as levou a conspirar em prol da Independência. A maioria dos conspiradores eram homens ricos e cultos como Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga.
Pobre, somente o Tiradentes, que era um alferes (cargo militar semelhante ao de tenente), e que tinha esse apelido por exercer também o ofício de dentista pagou com a morte por ter conspirado contra o governo.
Era ele quem saía às ruas, procurando conquistar a adesão do povo ao movimento. Resultado, durante o julgamento, todos os que tinham posses conseguiram escapar da pena máxima, trocando-a pela prisão ou pelo exílio.
Tiradentes, acabou condenado à morte e ao esquartejamento, para que as partes de seu corpo ficassem expostas ao público, de modo a desencorajar outras tentativas de rebelião. Executado como um criminoso, Tiradentes se transformou no primeiro herói brasileiro, logo após a nossa Independência, em 1822.
28 de mar. de 2011
Índios em Divinópolis
Em nossa cidade muito se fala sobre Candidés. Mas quem era ele? O Candidés, que a gente fala e que dá nome à Praça, Medalha, TV, Supermercado, etc, aqui em Divinópolis, na verdade, não era índio .
Mas ficou com esse apelido por ter convivido com a Tribo de índios dos Candidés.
“Diz a lenda que viera , como criminoso , de Barbacena , escondendo-se aqui entre os índios "cadidé" que , certamente, lhe emprestaram o apelido Candidé.
Segundo o pesquisador Flávio Flora, os índios que habitavam essa região eram pacíficos, da Nação Caipó, da Tribo Candidez. Pelos idos de 1785 foram expulsos de nossa terra, pelos Bandeirantes e partiram em direção à Floresta Amazônica (Alto Xingu). Ficaram conhecidos como Candidés, possivelmente por causa da cor bem clara da pele, uma vez que viviam à sombra das árvores e também por terem a cabeça raspada.
Os Candidés ou Candidé eram uma tribo da Nação Caiapó do Sul, do ramo Gê , língua Cran.
VESTÍGIOS
Em Divinópolis, de 1989 a 1998, o jornalista Flávio Flora, com o apoio da Câmara Municipal, realizou pesquisa arqueológica em busca de vestígios desses índios. Encontrou locais onde existiram aldeias com restos de objetos cerâmicos, pequenas vasilhas, grandes vasos, bolotas de argila cozida, resíduos de barro virgem apenas amassados, esticadores de orelhas de pedra polida, colares etc. Ainda encontrando alguns descendentes de uma índia “pega no laço” nos idos de 1840-45, na região da Serra dos Caetanos, chamada de Pacheca, da qual originou família numerosa na região de Córrego Falso/Djalma Dutra.
Um fato que tem merecido a atenção dos pesquisadores é que o estilo da cerâmica encontrada na região de Divinópolis (Costas, Serra das Flechas (no perímetro urbano), Olaria, Serra Negra, Cacoco, Quarenta e Oito, Sete Lagoas, Buritis etc.) são semelhantes às encontradas em outros pontos do Alto Sâo Francisco, como em Cajuru, Salgados, Leandro Ferreira, Perdigão, Itapecerica, Araxá (Perdizes) e Abaeté (recentemente). Isso evidencia que estes caiapó-canditeá “vadeavam” não somente pelos “confins” do Vale do Itapecerica, mas, como comprovam os vestígios, por todo o centro-oeste aquém e além das cabeceiras do São Francisco.
Fonte: Revista A PROVA, Maio de 2002
Outras citações sobre os Indios Candidés encontradas:
Outras citações sobre os Indios Candidés encontradas:
Na revista carioca “Cultura e Trabalho”, de fevereiro de 1928, o deputado Nelson de Senna publicou sua resenha etnográfica sobre os “Principais povos selvagens que tiveram seu habitat em território das Minas Gerais, onde se destaca o verbete:
CANDIDÉS. Índios do Vale do Itapecerica, no oeste mineiro , cujo nome se conserva num lugar perto de Divinópolis.”
CANDIDÉS. Índios do Vale do Itapecerica, no oeste mineiro , cujo nome se conserva num lugar perto de Divinópolis.”
(RAPM Ano XXV, 1º Vol., 1937, p.340).
Outro mestre da etnografia brasileira, filólogo Laudelino Freire (1939), também incluiu em seu Dicionário uma referência aos índios do Vale do Itapecerica.
“Candidés. s. m. pl. Indígenas brasileiros que habitavam o vale do Itapecerica, em Minas Gerais."
(Dicionário da Língua Portug u e s a . Tomo XI , Vol . II , p1.205)
O p r o f e s s o r J o s é Di a s L a r a, em sua obra “Divinópolis com Amor e Humor” (Gráfica Sidil, 1987), citando antigo ementário, adotou essa lenda de Christovan Teixeira e alguns elementos fornecidos por Pedro X. Gontijo , acrescentando-lhe informação histórica, segundo a qual o turista espanhol Pero Gonçalo do Amaranto e o c o m e r c i a n t e E s t á c i o C a m p o s de Borgonha, com outras setenta a oitenta pessoas, fugiram de Ouro Preto para Pitangui, em 1720, cruzando com os índios Candidés nas proximidades da barra do Itapecerica com o Pará:
“... Foi então que se puseram em contato com os índios Candidés, que habitavam uma aldeola localizada à margem esquerda do rio Itapecerica, a cerca de dois quilôme t r o s , pouco ma i s , de no s s a cidade, numa gruta a que chamavam Itaberá (...) a Gruta do Cristal, localizada nas imediações do ‘Cemitério dos Vivos ’ onde até bem pouco tempo se encontravam vestígios da antiga tribo indígena ...”
25 de mar. de 2011
História do Dia do Índio
Capa do catálogo de Imagens Séculos Indígenas no Brasil.
Origem da data
Todos os anos, no dia 19 de Abril, comemoramos o Dia do Índio.Esta data foi criada em 1943, pelo presidente Getúlio Vargas, através do decreto-lei número 5.540.Mas porque esse dia?
Para entendermos a data, devemos voltar para 1940.
Neste ano, foi realizado no México, o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano.
Além de contar com a participação de diversas autoridades governamentais dos países da América, vários líderes indígenas deste continente foram convidados para participarem. Assim, eles também participariam das decisões.
Porém, os índios não compareceram nos primeiros dias do evento, pois estavam preocupados e temerosos. Este comportamento era compreensível, pois os índios há séculos eram sendo perseguidos, agredidos e dizimados pelos “homens brancos”.
No entanto, após algumas reuniões e reflexões, diversos líderes indígenas resolveram participar, porque entenderam a importância daquele momento histórico. Como eles começaram a participar desse Congresso no dia 19 de abril, esse dia foi escolhido, no continente americano, como o Dia do Índio.
Comemorações e importância da data:
Neste dia do ano ocorrem vários eventos dedicados à valorização da cultura indígena.
Nas escolas, os alunos costumam fazer pesquisas sobre a cultura indígena, os museus fazem exposições e os municípios organizam festas comemorativas.
Mas, além de tudo, deve ser também um dia de reflexão sobre a importância da preservação dos povos indígenas, da manutenção de suas terras e respeito às suas manifestações culturais.
Devemos lembrar também, que os índios já habitavam nosso país quando os portugueses aqui chegaram em 1500. Desde esta data, o que vimos foi o desrespeito e a diminuição das populações indígenas.
Este processo ainda ocorre, pois com a mineração e a exploração dos recursos naturais, muitos povos indígenas estão perdendo suas terras.
Vida de Índio
Os índios possuem uma maneira própria de organizar a vida.
Entre eles tudo é dividido com o objetivo de fazer a aldeia funcionar em harmonia.
A divisão de trabalho, por exemplo, segue basicamente critérios de idade, sexo e acúmulo de conhecimento e cultura.
Na grande maioria das aldeias indígenas brasileiras esta divisão funciona da seguinte forma:
- Homem adulto: são responsáveis pela caça de animais selvagens. Devem garantir a proteção da aldeia e, se necessário, atuarem nas guerras. São os homens que também devem fabricar as ferramentas, instrumentos de caça e pesca e a casa (oca).
- Mulheres adultas: cabe às mulheres cuidar dos filhos, fornecendo-lhes alimentação e os cuidados necessários. As mulheres também atuam na agricultura da aldeia, plantando e colhendo (mandioca, milho, feijão, arroz). As mulheres também devem fabricar utensílios de cerâmica (vasos, potes, pratos) e preparar os alimentos para o consumo. Devem ainda coletar os frutos, fabricar a farinha e tecer redes (artesanato).
- Crianças: os curumins da aldeia (meninos e meninas) também possuem determinadas funções. Suas brincadeiras são destinadas ao aprendizado prático das tarefas que deverão assumir quando adultos. Um menino, por exemplo, brinca de fabricar arco e flecha e caçar pequenos animais. Já as meninas brincam de fazer comida e cuidar de crianças, usando bonecas.
- Cacique: é o chefe político e administrativo da aldeia. Experiente, ele deve manter o bom funcionamento e a estrutura da aldeia.
- Pajé: possui grande conhecimento sobre a cultura e religião da tribo. Conhece muito bem o poder das ervas medicinas e atua como uma espécie de “médico” e “curandeiro” da aldeia. Mantém as tradições e repassa aos mais novos através da oralidade. Os rituais religiosos também são organizados pelo pajé.
Diversão Indígena:
Além de trabalharem, os índios também se divertem.
Nas aldeias, eles fazem festas, danças e jogos.
Porém, estas formas de divertimento possuem significados religiosos e sociais.
Dentre os jogos, por exemplo, destacam-se as lutas. Estas são realizadas como uma forma de treinamento para guerras e também para desenvolver a parte física dos índios.
Índios Contemporâneos
A expressão genérica "povos indígenas" refere-se a grupos humanos espalhados por todo o mundo, e que são bastante diferentes entre si. Apenas no Brasil, há mais de 200 desses grupos.
Os povos indígenas contemporâneos estão espalhados por todo o território brasileiro, com exceção dos estados do Piauí e Rio Grande do Norte.
Vários desses povos também habitam países vizinhos.
No Brasil, a grande maioria das comunidades indígenas vive em terras coletivas, declaradas pelo governo federal para seu usufruto exclusivo.
Sugestão de link para pesquisa:
Orientação metodológica:
Os professores poderão propor uma pesquisa referente a contribuições indígenas: nomes, culinária, artes, etc.
Devemos exaltar que os índios são muito importantes na formação do povo brasileiro.
Muitos dos nossos hábitos, dos alimentos que consumimos e das palavras que usamos são de origens indígenas.
Somos um povo misturado, com todas as raças e todos merecem ser respeitados.
Museu do Índio
No Rio de Janeiro existe o Museu do Índio. Fica na Rua das Palmeiras, 55 - Rio de Janeiro - RJ, 22270-070 - TEL : 21 2286-2097 - http://www.museudoindio.org.br/)
Atividades:
Que tal uma Exposição da Cultura Indígena ?
Divida as turmas por assuntos. Cada turma deverá confeccionar cartazes ou objetos que traduzam a cultura índigena.
E para incrementar ao final pode servir um lanche típico a base de mandioca.
Não esqueçam do traje!
Enfeite e produza com seus alunos utensílios e colares.
Enfeite e produza com seus alunos utensílios e colares.
Alguns modelos de trajes que podem ser usados pelas crianças nas comemorações da data:
Algumas curiosidades:
Nome de pessoas que derivam de nomes indígenas: Iara, Jandira, Jaciara, Bartira, Moema, Moacir, Ubiratã, Ubirajara.Nome de animais: jacu,jacaré,jacutinga,tamanduá,guará,tatu.
Nomes de lugares e rios: Pará,Curitiba,Tietê,Iguaçu,Potiguar,carioca,Juquitiba.
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